O governo federal detalhou, em audiência na Câmara dos Deputados, as propostas que o Brasil levará à 31ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP31), marcada para este mês em Antália, na Turquia. O país montará o Pavilhão Brasil com cerca de 130 eventos para apresentar iniciativas públicas e parcerias com universidades, empresários e sociedade civil.

Entre os destaques está o plano de eliminar o uso de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) e zerar o desmatamento até 2030, considerado um marco da COP30, realizada em Belém. A ex-ministra Marina Silva (Rede-SP) afirmou que o compromisso servirá de roteiro para as negociações internacionais.

A delegação brasileira também vai expor dados positivos sobre redução do desmatamento nos biomas, o novo inventário de emissões de gases de efeito estufa e o Plano Clima, com 24 planos setoriais de adaptação e mitigação. Segundo o secretário Aloísio de Melo, a política climática é prioridade transversal do governo.

Representantes de ONGs e lideranças indígenas cobraram na audiência que os compromissos climáticos se transformem em resultados verificáveis. A deputada Sônia Guajajara (Psol-SP) defendeu que os indígenas sejam protagonistas nas decisões, não apenas guardiões da floresta. O coordenador da Frente Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP), avaliou que a derrota eleitoral de lideranças negacionistas nos EUA pode facilitar avanços na COP31.

A COP31 deve reunir cerca de 60 mil pessoas na área oficial de negociações. O foco está na implementação do Fundo de Perdas e Danos e no financiamento das metas climáticas, especialmente para países em desenvolvimento. Parlamentares brasileiros que participarão do evento usarão a audiência como referência.