Uma pesquisa com participação do Pará, por meio da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, conseguiu transformar a farinha do mesocarpo de babaçu — subproduto sem destino industrial — em um ingrediente proteico viável para a indústria de alimentos. O estudo foi desenvolvido pela BIOINFOOD, deep tech paulista de biotecnologia industrial, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).
A tecnologia multiplica por mais de quatro o teor proteico da farinha: de 1,5% para cerca de 7%. O resultado é um ingrediente com textura fibrosa e sabor equilibrado, com potencial direto para hambúrgueres e outros produtos plant-based. O projeto contou com R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, via Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil.
O babaçu é explorado de forma extrativista há décadas no Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, envolvendo cerca de 62 mil pessoas, principalmente quebradeiras de coco. A produção atual é de apenas 4% do potencial técnico de 1,5 milhão de toneladas por ano. A farinha do mesocarpo, descartada até então, agora ganha valor.
O processo combina seleção de leveduras, hidrólise enzimática e fermentação em biorreatores. Um protótipo de hambúrguer plant-based foi degustado na cerimônia de encerramento do programa, com presença de líderes comunitários. Agora, a empresa busca parceiros para escala piloto e mira o mercado global de proteínas alternativas, que deve atingir US$ 88,8 bilhões até 2034.





