No Brasil pós-eleições, cresce o debate sobre boicotes a estabelecimentos que apoiaram o candidato vencedor. Enquanto a direita convoca a prática, parte da esquerda propõe criminalizar a conduta. A discussão, porém, é mais antiga e complexa, como lembra o colunista Gustavo Maultasch.

Boicotes podem ter motivações justas, como punir um comércio que trata mal o consumidor. Mas também podem ser moralmente condenáveis, quando baseados em raça, gênero ou religião. A dificuldade está em distinguir os casos sem abrir espaço para o arbítrio estatal.

Há ainda o chamado boicote secundário, que atinge fornecedores e parceiros do alvo original. Esse tipo é mais agressivo e já foi proibido em alguns contextos, por arrastar terceiros inocentes para o conflito.

O autor alerta que qualquer legislação sobre o tema corre o risco de ser aplicada de forma seletiva. Como exemplo, cita a defesa de boicotes a lojas de 'sionistas', expressão que, segundo ele, seria um eufemismo para 'judeus'. A pergunta central: o controle estatal protegeria a liberdade ou serviria a interesses de grupos específicos?

Para Maultasch, a resposta está no equilíbrio: impedir abusos sem conferir ao Estado um poder excessivo, capaz de censurar críticas e silenciar a população.