A empresa de segurança cibernética CrowdStrike divulgou um relatório apontando que o grupo de espionagem Vapor Panda, associado à China, usou inteligência artificial para tentar acessar dados de autoridades diplomáticas na América Latina. A ação teria atingido mais de 200 organizações em 14 países.

De acordo com o documento, os alvos incluíam ministérios de Relações Exteriores na Ásia e na América Central, empresas do setor de semicondutores e defesa nos Estados Unidos, além da presidência e do gabinete do primeiro-ministro de um país europeu.

Esta é a primeira vez que o grupo, ativo desde 2021, é flagrado usando IA. Os invasores utilizaram o ARTEX, um software de código aberto criado por um desenvolvedor chinês, que permite automatizar ataques em escala. Com a ferramenta, um operador humano pode executar mais de 1.500 comandos por hora, ante os 40 comandos de um ataque manual.

O código do ARTEX foi fechado em outubro após uso indevido, mas os ataques começaram dias depois e duraram 11 dias, entre 17 e 28 de outubro. A Microsoft já havia relatado uso semelhante do programa. A CrowdStrike alerta que a automação pode tornar chancelarias latino-americanas, que geralmente têm equipes de TI pequenas, alvos mais vulneráveis.