Os gigantes também têm seus pontos fracos. E o calcanhar de Aquiles da favorita França nesta Copa é a lateral. Enquanto o ataque brilha com o trio Mbappé, Olise e Dembélé, os próprios franceses criticam a parte defensiva da seleção, principalmente quando se trata dos lados do campo.
Curiosamente, foram os laterais franceses que se transformaram em heróis improváveis nos títulos mundiais de 1998 e 2018, quando os craques do time foram parados. Na Copa da França, na semifinal contra a Croácia, o lateral-direito Lilian Thuram marcou seus dois únicos gols pela seleção para virar o jogo. Já na Copa da Rússia, vinte anos depois, nas oitavas contra a Argentina, o lateral-direito Benjamin Pavard acertou um chute de trivela antológico que mudou o rumo da Copa.
Talvez por esses motivos a imprensa francesa já fale em mudanças nessas posições, quem sabe já projetando que Les Bleus precisem ser salvos por quem não se espera.
Após a vitória da França por 4 a 1 sobre a Noruega, na sexta-feira, as atuações de Jules Koundé e Theo Hernandez reacenderam as discussões sobre as laterais. Segundo o jornal L'Equipe, na direita, Warren Zaïre-Emery, do PSG, e Malo Gusto, do Chelsea, seriam alternativas. Na esquerda, Lucas Digne poderia ocupar a posição de titular. Ele jogou os 90 minutos na vitória por 3 a 0 sobre o Iraque, pela segunda rodada do Grupo I da Copa.
Para o jornal francês, Koundé ainda não mostra confiança pela direita e o pênalti cometido por Theo mostrou uma fragilidade da equipe pela esquerda: "Um problema real para o restante do torneio", destacou a publicação neste sábado.
O histórico dos laterais franceses campeões do mundo, no entanto, mostra que pelos lados do campo pode vir a grande surpresa. Em 1998, na semifinal, a França perdia por 1 a 0 (gol de Suker), em Paris, com Zidane muito marcado, quando o lateral Thuram, que nunca havia marcado um gol pela seleção, marcou dois: o primeiro roubando a bola no ataque e, o segundo, em um chute de perna esquerda (ele é destro) na entrada da área.
Na conquista do bi, em 2018, em um dos jogos mais dramático daquela campanha, a França perdia por 2 a 1 para a Argentina, em Kazan, quando Pavard, um jovem improvisado na lateral após a lesão de Djibril Sidibé, recebeu a bola após cruzamento de Lucas Hernández (irmão de Theo e o outro lateral) acertou um chutaço de trivela, na gaveta.
Na terça-feira, a partir da 21h, no estádio de Nova York/Nova Jersey, a França e o mundo começa a saber se o possível tri dos Bleus vai passar novamente pelas laterais.
Lilian Thuram foi um dos símbolos da geração da França que dominou o futebol entre 1998 e 2000 - Quiz Thuram





