Um incêndio de grandes proporções atinge a Terra Indígena Apyterewa, no sul do Pará, há cerca de uma semana. O fogo começou em uma região que passou recentemente por desintrusão, operação do governo federal para retirar invasores não indígenas.

As chamas se espalham por uma extensa área onde antes funcionava a criação ilegal de gado. Até o momento, o fogo não atingiu a mata fechada, mas há preocupação de brigadistas e lideranças locais com o vento forte, que pode mudar a direção das chamas e alcançar uma aldeia próxima do povo Parakanã.

Dados do Instituto Socioambiental (ISA) mostram que, entre maio e agosto de 2026, sensores de satélite registraram 377 focos de calor na terra indígena. Agosto concentrou 90,2% dos registros (340 focos). A ausência de chuvas, com até 12 dias consecutivos de seca, contribuiu para a propagação rápida do fogo.

A análise técnica aponta que o incêndio já afeta vegetação nativa: 25,7% dos focos foram classificados como de alta intensidade, associados à queima de biomassa florestal densa. Em 20 de agosto, três focos simultâneos somaram 15,1% de toda a energia radiativa registrada em três meses de monitoramento.

A TI Apyterewa é uma das áreas mais pressionadas pelo desmatamento no país. A desocupação de invasores, como grileiros e criadores de gado, teve como objetivo garantir o direito originário e a segurança do povo Parakanã.