A Federação Internacional de Ginástica estuda introduzir um sistema de inteligência artificial nos Jogos de Los Angeles 2028. A ferramenta, desenvolvida pela japonesa Fujitsu, usa câmeras para reconstruir as séries em 3D e apontar falhas que os juízes não enxergam.

A tecnologia já é usada em caráter experimental desde o Mundial de 2019 e, em 2023, passou a cobrir as dez provas. De acordo com o presidente da entidade, Morinari Watanabe, a ideia é diminuir contestações e tornar as notas mais justas. Ele projeta que a IA atue primeiro como auxiliar e, no futuro, talvez decida sozinha os resultados.

Especialistas, no entanto, veem riscos. O professor Willem Standaert, da Universidade de Liège, afirma que a precisão matemática pode ser exagerada e que o sistema, treinado para rotinas conhecidas, pode falhar diante de movimentos novos. Ele pondera que aspectos artísticos, como interpretação musical e coreografia, não são mensuráveis por computadores.

A árbitra austríaca Johanna Gratt, que trabalhou com o sistema no Mundial de Roterdã, afirma que há momentos em que a intervenção humana é necessária. Já a Fujitsu rebate críticas, diz que os cálculos seguem as regras e que o software foi treinado com atletas de diferentes biotipos. Watanabe, que integra o comitê do COI para LA 2028, cita casos como Atenas 2004 e Paris 2024 para justificar a aposta.