A censura chinesa age dentro e fora do país. Em agosto, o humorista Guo Degang foi investigado por alterar um verso de música revolucionária em show na China. A produtora de outro comediante foi multada em R$ 11 milhões por piada ligada ao Exército chinês. Mas o alcance vai além: estrangeiros que dependem do mercado chinês também sofrem pressão.

Em outubro, o francês Kylian Mbappé fez uma piada sobre Mao Tsé-tung num programa de TV. A fala viralizou na China, e patrocinadores romperam contrato com o jogador. A TV estatal suspendeu transmissões de jogos. Mbappé pediu desculpas em mandarim, francês e inglês. A Sanrio, dona da Hello Kitty, também se desculpou após lançar produtos de uma série que retratava espiões chineses como vilões.

A organização russa de e-sports Team Spirit pediu desculpas por um vídeo em que um mapa mostrava a China sem Taiwan. A CNN teve seu sinal bloqueado na China ao vivo, substituído por barras coloridas com a mensagem 'Sem sinal', quando tentava exibir imagens de censura. A emissora mostrou a tela para os americanos.

Em maio, a marca Lululemon realizou um festival de ioga na Muralha da China. O ponto alto foi uma apresentação de percussão com um tambor que usuários chineses identificaram como japonês, associando-o à invasão da Segunda Guerra. A empresa pediu desculpas e removeu o material das redes.

Esses casos mostram como a censura chinesa ultrapassa fronteiras, atingindo artistas, empresas e veículos de imprensa que dependem do mercado ou da circulação no país. O pedido de desculpas é quase sempre a única saída para não perder negócios.